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*Um blog de poesia * 3 anos juntas e agora com 19 anos vivemos dias diferentes com 3h de distância, mas sem nunca esquecer que a nossa vida tem sonhos..e que a poesia relata sonhos! Ana Boa sorte em tudo, porque eu volto cá! bjx A MINHA, A TUA, A NOSSA POESIA!!

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Domingo, 30 de Abril de 2006

A vida dá que pensar....

Há dias que foram feitos para pensar...será que o que toco, o que vejo, o que sinto existe?

Há dias em que acordo para tentar perceber qual é o meu destino aqui....

Há dias em que acordo para viver, para me divertir ......e ADORO  isso...

 

 Deste Modo ou Daquele Modo

Deste modo ou daquele modo.
Conforme calha ou não calha.
Podendo às vezes dizer o que penso,
E outras vezes dizendo-o mal e com misturas,
Vou escrevendo os meus versos sem querer,
Como se escrever não fosse uma cousa feita de gestos,
Como se escrever fosse uma cousa que me acontecesse
Como dar-me o sol de fora.
Procuro dizer o que sinto
Sem pensar em que o sinto.
Procuro encostar as palavras à idéia
E não precisar dum corredor
Do pensamento para as palavras

Nem sempre consigo sentir o que sei que devo sentir.
O meu pensamento só muito devagar atravessa o rio a nado
Porque lhe pesa o fato que os homens o fizeram usar.

Procuro despir-me do que aprendi,
Procuro esquecer-me do modo de lembrar que me ensinaram,
E raspar a tinta com que me pintaram os sentidos,
Desencaixotar as minhas emoções verdadeiras,
Desembrulhar-me e ser eu, não Alberto Caeiro,
Mas um animal humano que a Natureza produziu.

E assim escrevo, querendo sentir a Natureza, nem sequer como um homem,
Mas como quem sente a Natureza, e mais nada.
E assim escrevo, ora bem ora mal,
Ora acertando com o que quero dizer ora errando,
Caindo aqui, levantando-me acolá,
Mas indo sempre no meu caminho como um cego teimoso.

Ainda assim, sou alguém.
Sou o Descobridor da Natureza.
Sou o Argonauta das sensações verdadeiras.
Trago ao Universo um novo Universo
Porque trago ao Universo ele-próprio.

Isto sinto e isto escrevo
Perfeitamente sabedor e sem que não veja
Que são cinco horas do amanhecer
E que o sol, que ainda não mostrou a cabeça
Por cima do muro do horizonte,
Ainda assim já se lhe vêem as pontas dos dedos
Agarrando o cimo do muro
Do horizonte cheio de montes baixos.

Alberto Caeiro

sinto-me: sinto-me pensativa
música: estou a ouvir RFM
publicado por nuvembranca às 11:37
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4 comentários:
De Coriolis a 30 de Abril de 2006 às 13:27
Este poema de Alberto Caeiro é um poema bastante refexivo e que nos remete para os pensamentos que temos durante a nossa vida. A questão essencial é a vida e como percebe-la!!?? Estamos perante o maior mistério humano ou não?! Mesmo assim eu adoro viver e quando já não viver não vou sentir desgosto porque não sentimos nada e isso é o que nos consola. Não nos apercebemos do que perdemos mas temos sim medo de um dia deixar de perceber. Beijos
De Egypto a 30 de Abril de 2006 às 13:44
Caeiro só quer uma coisa! não utilizar os sentidos a que o homem tem posse: o tacto, a visão, etc..
"Procuro despir-me do que aprendi,
Procuro esquecer-me do modo de lembrar que me ensinaram"
pk para ele só pode admirar e contemplar a natureza se a sua mente for uma tabua rasa, limpa....
De __Eagle__ a 3 de Maio de 2006 às 14:14
"Nem sempre consigo sentir o que sei que devo sentir.
O meu pensamento só muito devagar atravessa o rio a nado
Porque lhe pesa o fato que os homens o fizeram usar. "

tá td dito....
De Anónimo a 12 de Maio de 2006 às 14:00
"Nem sempre consigo sentir o que sei que devo sentir.
Adoro Fernando Pessoa, em especial no heterónimo Alberto Caeiro! Acho que é um dos nossos maiores génios literários! Louco mas genial!
O meu pensamento só muito devagar atravessa o rio a nado
Porque lhe pesa o fato que os homens o fizeram usar."
Infelizmente este "fato" é pesado para muita gente... tantos preconceitos que ainda existem...
Mas está na palma da nossa mão despir o fato e praticar o nudismo... Ainda existe tanta actualidade neste poema

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